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Crônica: Café derramado, menino desastrado, final inesperado

  • Foto do escritor: Dime
    Dime
  • 2 de set. de 2020
  • 2 min de leitura

Algumas histórias começam com era uma vez, mas essa começou assim:

— Seu idiota! — reclamou a menina ao ver todo o café derramado no seu vestido comprado no mês passado para ser usado na festa clandestina na casa de seu cunhado.

— Mil desculpas — disse o menino atrapalhado olhando para a obra de arte que acabara de fazer. Sem querer, derrubara o café que comprara na padaria do Flávio para se manter acordado em mais uma manhã de trabalho.

A menina olhou indignada, primeiro para seu vestido, depois para o copo de café vazio, depois para a cara desconcertada do menino que não tinha nada além de desculpas para oferecer.

Eles estavam dentro de um ônibus, que por sorte não estava tão lotado assim, mas que ideia horrorosa, entrar com café dentro de um ônibus, né? Pois é, o menino, não podia perder o bus, nem se atrasar, nem deixar de tomar a bebida que o deixaria alerto pelo resto do dia.

— Vai ter que pagar pelo vestido — sugeriu um passageiro que não tinha nada a ver com o acontecido, só quis dar mesmo uma de intrometido.

— Toma, tenho um lenço aqui — ofereceu uma passageira educada, que quis ajudar a coitada da moça encharcada de café.

— Obrigada — disse a menina aceitando de bom grado o lenço dado pela mulher do lado.

O menino ainda não conseguia nada fazer, só queria desaparecer e fingir que nada disso tinha acontecido, talvez, não estaria tão aborrecido se a menina que ali estava não fosse a menina que ele gostava.

Tudo estaria perdido? Ele nunca teria mais a chance de chamá-la para sair por causa do incidente que aconteceu ali?

E do nada a menina começou a rir. Todos olharam para ela sem saber o que estava acontecendo, se ela estava mesmo fazendo aquilo ou se era um surto coletivo.

— O que foi? — perguntou o menino.

— Sempre te achei bonito e por muitas vezes me perguntei se você se interessaria em mim, se me chamaria para sair um dia para tomar um café ou algo assim. E olha só, você acabou de derramar café aqui. Não era assim que eu planejava ter contato com você.

O menino sorriu e disse:

— Eu também sempre te achei bonita e queria muito te chamar para sair, por causa da minha timidez eu nunca soube como agir.

— Foi preciso um copo de café derramado para você conversar comigo, e mesmo eu estando encharcada, e um pouco brava, ainda aceitaria o seu convite, pois sei que você é legal e não é desastrado em tempo integral.

— Então, depois do trabalho, gostaria de comer algo?

— Claro.

E assim nasceu um casal, de um evento incomum, mas muito natural. Pessoas se apaixonam, mas precisam de uma empurrão, às vezes de uma freada de um busão, para se conhecerem. O menino desastrado e a menina encharcada saíram naquela noite e em muitas outras, e hoje, casados, se recordam daquele dia, tomando uma enorme e boa xícara de chá, pois café é só mesmo para derramar.

1 comentário


Bárbara Antunes
Bárbara Antunes
01 de fev. de 2021

lindeza!

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