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Resenha: Feitos de Sol (Vinícius Grossos)

  • Foto do escritor: Dime
    Dime
  • 21 de dez. de 2019
  • 5 min de leitura

Olá, meus citados e minhas citadas! Hoje venho resenhar para vocês o livro Feitos de Sol, do escritor Vinícius Grossos, publicado pela editora Faro em 2019.




"[...] Então, no fim das contas, gostar de meninos ou meninas, ou os dois, não muda nada. Também não vai mudar quem você é." (GROSSOS, 2019)


Conheci o autor Vinícius Grossos pelo Instagram. Confesso que quando vi o livro sendo divulgado por ele nos stories, eu logo me apaixonei. Como um bom colecionador de livros, eu olhei para a capa do livro e já pensei "preciso desse livro na minha coleção". O que eu não imaginava era que o livro iria superar todas as minhas expectativas! Todas mesmo.


Vamos começar pela capa e os elementos editoriais. Se você me acompanha no Instagram, sabe que eu sou apaixonado pelos detalhes da edição do livro. Quando Feitos de Sol pousou pela primeira vez em minhas mãos, e quando os meus olhos viram pela primeira vez ao vivo aquela explosão de cores solares, eu entrei em estado de paixão instantânea pelo livro. As cores que rementem o por do sol tem tudo a ver, são só com o título, mas também com vários elementos da história. A capa, o título e o enredo se encaixam perfeitamente na definição de sol, o que eu achei o máximo!

O interior do livro também é bem convidativo e muito lindo. As ilustrações, principalmente da roda gigante e a imagem da capa em preto e branco lá dentro, são maravilhosas. Gostei da fonte do livro, é bem gostoso de ler. As dimensões do livro são por volta de 16x22,5. De início achei que o tamanho iria gerar algum desconforto na ora de manusear o livro durante a leitura, mas, foi tranquilo, não atrapalhou e consegui segurar de forma bem confortável para lê-lo.





Enredo


Feitos de Sol é um livro emocionante que conta a história do amor vivido por Cícero e Vicente, dois garotos que acreditam que o mundo iria acabar na virada dos anos de 1999 para 2000, época em que se passa o livro.


O livro possui um quadro relativamente pequeno de personagens, sendo Cícero o personagem núcleo, uma vez que todos os outros personagens são apresentados a partir de seu ponto de vista. Ele também é o narrador, isto é, ele é um narrador-personagem, o que deixa a história mais emotiva e fácil de cativar o leitor.


Cícero é um garoto de 15 anos, que mora apenas com sua mãe, Alessandra, a qual é uma grande amiga dele. Interessante notar com a Alessandra é um personagem apoio nessa história. A figura da mãe e, ao mesmo tempo, figura de amiga, a torna um pilar de apoio para Cícero, deixando nós leitores confortáveis para caso alguma situação saia fora do controle, pois sendo Alessandra mãe e amiga, faz com que pensemos que estará tudo bem quando alguma coisa der errado. Porém, há um momento na história em que Cícero precisa mais do que tudo desse apoio, e é quando nós leitores nos frustramos pela primeira vez, pois Alessandra se mostra incompreensível diante da orientação sexual do seu filho. E é nesse ponto do livro que muitos leitores se identificam com a história de Cícero. Quando os pais "descobrem" sobre a orientação sexual do filho, infelizmente, ainda há muitos que não compreendem de início, que se revoltam, que tentam buscar o culpado ou jogar a culpa sobre alguém, que tentam achar algo errado nisso. Entretanto, vale ressaltar que esse apoio de mãe e amiga volta quando Alessandra finalmente compreende que não há nada de errado em seu filho ser gay e que ele ainda continua sendo o mesmo filho que ela sempre amara.


O jovem rapaz é um nerd, fã da série de HQs chamada Under Hero. A busca pela edição final dessa revista vai ser o fio condutor para que a história aconteça e se desenvolva. Under hero também vai ser o elemento chave que será usado como desculpa para que Cícero arriscasse tudo, inclusive a confiança de sua mãe, para ir com Vicente em busca da última edição da revista.

Cícero acredita que na virada para os anos 2000, irá acontecer o bug do milênio e os computadores iriam se enlouquecer e os mísseis seriam disparados, causando assim, o fim da humanidade. Enquanto Vicente, um garoto criado por uma família extremamente religiosa e preconceituosa, acredita que o mundo vai acabar em 2000 por causa de intervenções divinas.

Temos aí um contraponto, um contraste que achei interessante. Cícero é ateu e Vicente é cristão. Duas realidades diferentes, mas que, o autor do livro, soube muito bem colocar para gente, que não importa as suas diferenças culturais, quando se existe respeito.

Outra personagem que merece destaque é a Avó do Vicente. Ela é uma personagem que foi brilhantemente colocada nessa história. A presença dessa personagem é como se fosse a luz no fim do túnel, como se ela fosse responsável por reacender a chama de esperança na vida dos personagens. Ela é toda desconstruída e muito mente aberta. É a única na família de Vicente que o aceita como ele é. Essa personagem nos mostra como é importante ter alguém em quem confiar, em quem gosta da gente como a gente é, principalmente, se a sua orientação sexual incomoda tanto o mundo.

Outro tema interessante que o livro aborda é a realidade que a comunidade LGBTQ+ enfrenta quando possuem pais extremamente preconceituosos. No caso do Vicente, seu pai é extremante ignorante, o chama de aberração e profere frases dolorosas como "Prefiro um filho morto do que um filho Gay". Infelizmente, esse discurso é proferido muitas e muitas vezes por pessoas com zero empatia, ignorantes, e que não são capazes de entender que o amor não se limita a gênero.

O final do livro me surpreendeu muito. Houve partes muito tensas, que me deu vontade de entrar na história só para tentar amenizar a dor dos personagens e até mesmo defendê-los diante das injurias que os foram proferidas.

É muito mágico como o autor coneta o sol com o enredo da história e o amor dos dois personagens. Foi uma experiência fantástica.


Antes de ir para os finalmentes, quero deixar claro que amei a referência dos livros Crepúsculo, 50 tons de Cinza e Harry Potter, em uma conversa entre Vicente e Cícero. Amei!

Esse livro leva o selo DIMECHOROU, pois é uma história muito envolvente, realista, dolorosa, mas ainda assim, linda de se ler.

Fiquem agora com um dos pensamentos de Vicente:


" [...] Será que as pessoas serão mais tolerantes com os meninos e as meninas como nós? Com a vida dos outros, independente do que gostem ou queiram? Será que teremos liberdade e respeito para sermos quem somos? Seria um sonho. Imagina poder ir ao cinema e ver histórias de amor entre dois meninos, sem julgamento, sem censura! Imagina poder ler um livro com meninos como nós... sei lá, como protagonistas! Não devemos ser os únicos apaixonados no mundo. Sem dúvida existem mais Cíceros e Vicentes, e Bernados e Lucas, e outros...





Sobre o autor:

Vinícius nasceu no estado do Rio de Janeiro e quando pequeno, tinha o sonho de trabalhar em uma livraria apenas para poder ler tudo o que fosse possível. Aos sete anos, escreveu e ilustrou seu primeiro livrinho e desde então não parou mais. Já participou de algumas antologias e concursos audiovisuais, sendo Sereia Negra seu primeiro livro publicado. Atualmente mora em Juiz de Fora, Minas Gerais, onde estuda Jornalismo.

Fonte sobre o autor> https://www.skoob.com.br/autor/10671-vinicius-grossos (acesso em 21 de dez, 2019)

 
 
 

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